Ontem, dia 25, além de ter sido dia de pagamento, foi dia de assistir Ensaio Sobre a Cegueira no HSBC Belas Artes, meca cinematográfica dos moderninhos, viados e descolados da cidade.

Um evento concorrido, pois não seria uma exibição de cinema qualquer. A patroa fez todo mundo correr atrás de um par de ingressos para o filme. Além da exibição ser gratuita, após o filme teríamos o prazer de participar de um bate papo com Fernando Meirelles, diretor do filme que já encabeça a lista dos melhores do ano por este que lhes escreve. Quem não conseguisse um ingresso ficaria chupando o dedo.

Sobre o filme, nem se fala. Quem já assistiu sabe do que to falando e quem não assistiu não imagina o que ta perdendo. Após o filme, um intervalo para dar uma mijadinha e aí Fernando Meirelles entra no cinema, conversa um pouco com o mediador do debate e começa a responder as perguntas do público.

Bem humorado, Meirelles respondeu todas as perguntas com uma simpatia sem igual. Um prato cheio para estudantes de comunicação, principalmente cinema, pois quase todas as questões envolviam temas como montagem, roteiro, som e outras curiosidades sobre as filmagens. Teve também perguntas a respeito das diferenças entre o livro e o filme, na qual Meirelles assumiu que Saramago disse que o filme não era a versão que ele imaginava de seu livro, mas que o diretor havia captado a idéia. E teve também algumas curiosidades respondidas, como a minha.

Era uma dúvida que me enchia a paciência. Quem assistiu sabe que uma das cenas mais emocionantes e angustiantes do filme é a cena do estupro coletivo, tão forte quanto (ou até mais) que no livro. Na exibição em Cannes Saramago chegou a chorar no final do filme e, como dito aí em cima, o escritor aprovou a versão de seu livro. Perguntei se havia alguma cena que Saramago comentou como sendo a mais fiel ao seu livro, aquela que foi filmada de forma perfeita, que representava em película exatamente a idéia passada pelo livro.

Talvez eu já soubesse a resposta, pois a cena que Saramago mais curtiu foi justamente a cena do estupro, e foi aí que, na exibição em Cannes, o escritor começou a chorar e não parar mais.

Agora, após ler o livro e assistir ao filme pela segunda vez, basta esperar pelo DVD, que deve chegar lá para fevereiro, que coincidentemente será perto do meu aniversário. Alguém se habilita?

**********
Antes da exibição do filme, assisti ao trailer do filme Romance, produção nacional com Wagner Moura e Leticia Sabatella no elenco.

Durante o trailer, nada demais. Um filme com cara de novela das 8 e com um elenco que já fez uma novela das 8. Mas o que mais me impressionou, e que caiu como uma luva no momento que eu estava passando, foi justamente uma frase do trailer em que o personagem de Wagner Moura diz aos prantos que “casamento é uma coisa e amor é outra. Porque as pessoas se casam por amor e depois terminam se estapeando por causa de uma infiltração na cozinha”.

Ou terminam também porque uma pessoa já assistiu a um filme no cinema e não falou nada.

**********
Fala a verdade, quem nunca passou por isso pelo menos uma vez na vida?