Assim que chego ontem em casa me deparo, pendurada na parede, com uma barata. Mas não uma barata qualquer, e sim uma barata-mutante-devoradora de gente.

Na hora de dar uma chinelada, a filha da puta foge e vai se esconder atrás do guarda roupa. Agora imagina o cagaço que foi dormir ontem sabendo que tinha um monstro desses no meu quarto.

Tá, eu sei que é só uma barata. Mas imagina você dormindo e sentindo aquela porra andando em cima de você. O horror, o horror…

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Os primeiros filmes de zumbi datam da década de 40 do século passado. As características dos zumbis eram apenas o fato de serem mortos trazidos à vida por magia negra (geralmente vudu), para servirem de escravos para seu mestre, fazendo tudo que este solicitava.

No final dos anos 60 George A. Romero lanço o que seria talvez a maior obra do gênero. A noite dos Mortos Vivos dá uma nova roupagem a um gênero que já não andava bem das pernas, criando novas regras que são seguidas até hoje. A principal delas é como os mortos vivem novamente. Esqueça o vudu e adicione a radioatividade como o motivo para a ressurreição e o principal: agora os zumbis são seres que atacam os vivos em busca de carne e sangue, infectando aqueles que são mordidos, transformando-os em novos zumbis.

Essas regras praticamente são seguidas até os dias de hoje, transformando Romero no Papa dos filmes de zumbis. Basicamente foram feitas apenas algumas alterações no modus operandi. Nos filmes dos anos 80, em plena Era Reagan, os militares faziam experiências com produtos químicos para criar o que seria o soldado perfeito. Como tudo que acontece nos Estados Unidos, a experiência dá em merda e logo surgem os mortos vivos em busca de cérebros.

Nos anos 90 esse tipo de filme não produziu nada significativo, apenas remakes e continuação inferiores de clássicos do passado. No final da década, com o sucesso do game Resident Evil, foi feita uma adaptação do jogo para o cinema. Tudo estava lá: os zumbis lentos e canibais, mas também o que mudou foi a forma de ressuscita-los: o projeto de armas militares ainda está lá, mas agora a contaminação se dá por um vírus criado em laboratório. O fime fez sucesso e já está pra estrear a 3ª parte, chamada ResidentE vil Extinction.

Como viram que o gênero está na moda novamente, os estúdios resolveram investir em novos filmes e até um filme de comédia (!!) foi lançado, com a tagline “Uma comédia romântica. Com zumbis”. Realmente, é o filme de terror mais engraçado que eu já vi, mas também pode ser a comédia mais assustadora que já assisti também.

Agora no novo século houve duas alterações na mitologia do gênero. Primeiro, a contaminação: chega de vodu, radioatividade, químicos e vírus de laboratório. A praga da vez é um vírus natural, uma variação do vírus da raiva, tipo a doença da vaca louca versão humana.
Deixando os infectados num estado de fúria inimaginável, o vírus os fazem atacar quem estiver pela frente, com um porém: sem devorar ninguém. O sentido está simplesmente em matar, destruir, exterminar. Fúria em seu estado mais puro. Segundo: esqueça os zumbis lentos e fáceis de desviar. Agora parece que juntou-se a fome com a vontade de comer. Os mortos vivos da nova geração correm tanto que deixam qualquer recordista dos 100m com inveja. Parece que a idéia pegou, pois desde 2001 já houve vários filmes que utilizam essas características. Danny Boyle foi quem contribuiu para o gênero dessa vez, como já clássico Extermínio.

Agora parece que Stephen King quer ajudar também. Em seu mais recente livro, Celular, o caos se instala no mundo ao som de celulares tocando suas musiquinhas irritantes. No dia 1º de outubro, as 15h03, TODOS os celulares do mundo tocam ao mesmo tempo e quem atende fica num estado incontrolável de raiva, como os zumbis de Extermínio, matando todo e qualquer ser humano sadio que encontrar pela frente. Tirando os celulares, as semelhanças terminam por aí.

Também não há canibalismo, mas as formas das mortes descritas no livro são realmente macabras. São principalmente por mordidas até a morte. E não há contágio. Quem morrer morreu. Ainda não terminei o livro, mas os personagens ainda não sabem o motivo de porquê isso aconteceu, somente que foi enviada uma mensagem subliminar pelo sinal dos aparelhos, e as hipóteses de um ataque terrorista em escala global não é descartada (seqüelas de um EUA pós 11/09).

Agora uma mudança que ainda não consegui engolir por completo. No livro os zumbis evoluem, conforme os dias vão passando, para um estado de inteligência nunca visto antes em mais de 70 anos de cinema do gênero, chegando ao ponto de se comunicarem por telepatia, moverem objetos com a mente e controlar as ações e os sonhos dos vivos. E eles possuem até um líder, conhecido no livro apenas como O Homem Esfrangalhado.

Porém, uma coisa é certa em 99% dos filmes do gênero: no final, os verdadeiros inimigos são os seres humanos. É só pegar qualquer filme, de qualquer época, pra perceber isso. Sempre há um momento que a maior cagada, que geralmente resulta em várias mortes inocentes, é sempre feita por um personagem mesquinho e arrogante, que também acaba morrendo em seguida. E no livro não é diferente. Acabei de ler uma parte que um dos personagens principais é morto de forma brutal e covarde por outro ser humano.

Parece mesmo que algumas regras nunca mudam.

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