O show. O mito. A lenda. A Meca de qualquer gamer que se preze. Vídeo Games Live, eu fui.

Resolvi colocar vários vídeos do Youtube para ilustrar o post. Por motivos óbvios, só há os links, para a navegação do blog não ficar comprometida. Se você gostar de alguns dos jogos que citei abaixo, assista o vídeo. Vale a pena, pode ter certeza. Daí a gente comenta depois.

Mas como diria um bom psicopata, vamos por partes.

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A ida.
-Ó, o carro tá sem escapamento, então faz um puta barulho. Pra trancar a porta você tem que subir o vidro, tirar o forro da porta e mexer num pininho. Essa daqui é a chave da ignição, essa é a da porta esquerda, essa é a do porta mala e essa é a do tanque de gasolina. O limpador de parabrisa não funciona. Só tem um farol funcionando e o carro ta meio sem freio. A segunda é difícil de pegar, tem que ter jeitinho. Não tem cinto de segurança também. A direção é meio dura e a luz de freio esquerda tá queimada.
– Falta mais alguma coisa?
– Tá sem estepe.

E lá fomos nós, com a cara e a coragem (muita, muita coragem), enfrentar a Ayrton Senna, Marginal Tietê e Pinheiros, para o show das nossas vidas. Cada um com o seu respectivo cu na mão, é claro. Esse é o Chevette 80 do meu irmão, verdadeiro xodó (e fonte de tétano) dele.

Tirando um momento de susto quando pensamos que o capô ia levantar (é sério) e pelo fato de nos perdermos um pouco, chegamos sem problemas. Um barulho danado, parecia que o carro era seguido pelas hordas do inferno.

Imagine um trator. Agora imagine o barulho que ele faz. Esse é o som reproduzido pelo motor do chevettinho. Chegamos inteiros, mas com um puta zumbido no ouvido.

Sem falar que o carro é meio alucinógeno. Com o escapamento quebrado, o interior do carro ficava cheirando gasolina direto. Chegava uma hora que a gente começava a ver gnomos atravessando a marginal.

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A fila
Com medo de chegarmos atrasados, chegamos umas 4 horas antes dos portões abrirem. Beleza, vamos guardar o sagrado lugar. E depois de um tempo começa a aparecer os tipos mais estranhos que existem.

Fãs de Star Wars. Pessoas com camisetas de vários games (eu quero uma!), e vários cosplayers. Gente fantasiada de Ryu, Yori Yagami, Katsumy Todo, Link, Mario e Luigi, entre outros. É até bom saber que você não é o único bitolado no mundo.

Depois de algumas horas, aparece Martin Leung na entrada. Quem é esse cara? Ele é apenas um coreano (ou chinês, é tudo igual) que ficou famoso mundialmente ao aparecer num vídeo no youtube tocando os temas de Mario Bros. no piano, de olhos vendados. É claros que tivemos nosso momento tiete e tiramos várias fotos do carinha.

Depois de cerca de meia hora, aparece um cara com uma guitarra a lá Chimbinha e começa a perguntar em alto e bom inglês quem veio no show ano passado. Era nada menos que Tommy Tallarico, compositor de trilhas para games e um dos idealizadores, junto com o maestro Jack Wall, do Projeto Vídeo Games Live. Ele ficou lá uns 15 minutos batendo um papo com a gente, tocando umas coisinhas na guitarra e cumprimentando a galera. Gente boa esse cara.

Quando os portões finalmente foram abertos, parecia que eu tava no paraíso. Quatro máquinas com 8 guitarrinhas para jogar Guitar Hero, três carros de fórmula 1 com telas de LCD para jogar um game de corrida e mercenárias gostosas vendendo camisetas do evento a 40 pratas. Me esbanjei e posso dizer que, finalmente, sei jogar Guitar Hero com a bendita guitarrinha de plástico.

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O show
Depois de todos se sentarem, a orquestra chega. Todos aplaudem. Depois de um pequeno anúncio dos nossos patrocinadores, aparece no telão um clipe da música Ms. Pacman, da banda The Go! Team. Ninguém entende no começo do que se trata o vídeo, mas logo todos caem na risada e aplaudem o clipe, quando percebem do que se trata.

Há antes um rápido concurso de cosplayers antes do tão esperado show. Tudo pra aumentar mais a ansiedade.

As luzes se apagam. Na tela, aparece as imagens de Pong, o primeiro jogo comercial da história, com sua bolinha quadrada pingando de lá pra cá. Primeiro ouvimos as risadas do público, surpreso com aquilo. Aí a orquestra começa os primeiros acordes. Um arrepio sobe do rego até a nuca e olho pros lados e tem gente com lágrimas nos olhos. Depois vem Space Invaders e uma série de clássicos dos anos 80. A cada jogo, uma salva de palmas e gritos de alegria. Logo aparecem Donkey Kong, Frog (o do atravessar o sapo pro outro lado da avenida, lembra?), Dragon´s Lair, Tetris, Zelda… haja coração!

Depois ouvimos um som bem familiar, depois uma voz mais familiar ainda. Solid Snake, as série Metal Gear, convoca todos pra chamar o mestre de cerimônia Tommy Tallarico, que aparece para anunciar a próxima música. Antes, aparece o criador do jogo no telão, Hideo Kojima. Depois de agradecer e blá blá blá, num japonês misturado com inglês, vamos ao que interessa.

A trilha de Metal Gear é maravilhosa, e eu que fiquei lá, babando nas imagens e viajando no som, uma das melhores trilhas que já ouvi. Depois disso foi só clássico atrás de clássico. Sonic, Zelda, Final Fantasy VIII (tocada pela 1º vez), Warcarft e… intervalo!

No intervalo, apareceu uma tela de loading para o segundo ato. Ao final, apareceu a mensagem press start (or clap) to begin. O Segundo ato foi um pouco fraco, tocando músicas da série Myst, do filme Tron, Beyond Good and Evil e Kingdon Hearts.

Durante o show houve várias brincadeiras com o público. Tallarico convidada fãs para subir ao palco jogar algum game enquanto a orquestra fazia a trilha de acordo com o desempenho do jogador. “Deve ser assim que os ricos jogam” ele disse. Um cara subiu ao palco para jogar Space Invaders. O legal era que ele vestiu uma camiseta especial e tinha que correr de um lado para o outro do palco, para controlar a nave e passar de fase. Caso conseguisse o trunfo em menos de 1m30s, ganharia a sua pontuação obtida no jogo em R$. Pena que não deu certo. Ele perdeu com quase 8 mil pontos.

Outro caso legal foi um cara que subiu no palco para jogar num simulador de corrida, dentro de um carro de fórmula 1 de verdade, com um monitor LCD na frente. Caso completasse o circuito de Interlagos em 1m10s, ganharia o carro de presente. “Tomara que caiba no seu quarto”. Também não deu, mas não faltou torcida.

Mas o melhor estava pro final. Primeiro tocam a trilha sonora de Mario Bros. e depois chamam o coreano (chinês, japonês, sei lá) Martin Leung pra fazer o som no teclado. E depois Tallarico fala que recebeu um e-mail de um brasileiro que toca a música no violão e o chama para ir ao palco. A música no violão até que ficou legal, com um ar de chorinho. Essa já era a 3º vez que Martin Leung subia ao palco na noite.

Depois veio o final. A trilha de Halo, jogaço do X Box e talvez um dos melhores jogos de tiro da história. Depois Tallarico sobe ao palco e informa que a próxima é, infelizmente, a última da noite. E começa a dar pistas sobre qual música seria. Fala que o compositor é um “tal” de Nobuo Uematsu, de um jogo pouco conhecido chamado Final Fantasy VII. O Via Funchal quase vem abaixo quando ele anuncia One Winged Angel, música final do jogo e uma das mais fodonas da noite. Ainda teve, durante a música, Tallarico esmirilhando sua guitarra do Chimbinha, dando um ar de heavy metal à música.

Depois as luzes se acendem, o povo começa a se levantar… e lá se vão as 3 horas do melhor show do ano. Tá, foi o único.

Assim como os muçulmanos devem ir à Meca uma vez na vida, eu e meus amigos deveríamos assistir esse show uma vez na vida também. Mas não há nenhuma regra dizendo que o muçulmano não possa ir mais vezes à cidade sagrada, então… Vídeo Games Live 2008, eu vou.

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A volta
Nada diferente da ida, só que tivemos que empurrar o Chevette pra ir embora. Nada de mais, a gente tava até estranhando que a gente não teve que fazer isso ainda.

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Mas nem tudo são flores. Todas as músicas tinham imagens maravilhosas nos telões com cenas dos respectivos jogos. Menos os games da Square. A empresa não autorizou o uso das imagens de Kingdon Hearts e da série Final Fantasy nos shows, somente as músicas.

Mas como disse Tallarico na apresentação de One Winged Angel: “essas músicas não precisam de imagens. A trilha sonora fala por si só”.

Amém, reverendo!

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