Se você (assim como eu) tinha o costume doentio de jogar fliperama, sabe como era bom ter o seu nome em primeiro lugar no placar da máquina e ficava todo orgulhoso sabendo que ninguém conseguia bater o seu recorde. Mas também ficava desesperado ao saber que tinha neguinho que tirou o seu nome do hall da fama.

Há cerca de 10, 15 anos as revistas de videogame também tinham sua lista de recordes. Mensalmente recebiam centenas de cartas com fotos toscas e fora de foco de recordes de vários jogos. A qualidade da foto não importava, o que valia era saber quanto o sujeito havia feito de pontos para que você pudesse bater o recorde dele e ter os seus 15 minutos de fama. Eu mesmo já mandei várias fotos, tentando ter os meus 15 minutinhos, em vão.

Mas o tempo passa, o tempo voa. Os fliperamas quase estão extintos, sendo substituídos pelas lan houses e pelas maquininhas caça níqueis dos botecos. As revistas já não publicam as fotos, pois com a Internet cada vez mais acessível, não é mais necessário esperar um mês inteiro pra saber qual é o novo recorde a ser batido.

Mas uma coisa vos digo: uma vez jogador, sempre jogador. E, sendo jogador, nosso objetivo é sempre estar em busca do melhor placar. E cá entre nós, alguém dentro da Microsoft deve saber disso direitinho. Por certo foi algum nerd que mandava suas fotinhas que inventou os (já famosos) Achievements.

Também conhecidos como Conquistas, os Achievements são pontos que você ganha ao fazer determinada coisa num jogo, e não mais apenas simplesmente terminando-o, assim sem mais nem menos. A Microsoft permite que cada jogo tenha até 1000 pontos e os desenvolvedores do game escolhem como quiser distribuir esses pontos em suas Conquistas. Um exemplo: terminar um jogo no modo mais difícil sem morrer nenhuma vez já garante 100 pontinhos. Jogar Guitar Hero e conseguir 100% numa música no Expert, mais 50 pontinhos no ranking mundial. Jogue Call of Duty online e mate dois inimigos com um tiro só. Mas cinquentinha pra sua pontuação. Doideira? Mas aí é que ta a graça da coisa.

Mas também tem muito jogo que pisa na bola e põe objetivos idiotas (no mínimo) pra liberar as tão sonhadas conquistas. Talvez o jogo mais famoso seja Avatar: The Burning Earth, que libera os mil pontos em menos de 5 minutos de jogatina. O jogo é uma merda, mas tem muito doente que compra ele só pra conseguir essa pontuação. Eu sou um deles. Outro caso famoso é Guitar Hero 2: perca numa música no Easy e ganhe 5 pontinhos. Essa conquista eu também tenho, é claro.

E o melhor é poder conectar seu Xbox 360 na Internet e poder comparar suas Conquistas com outros jogadores, tudo em tempo real. Há até sites de games que tem áreas exclusivas para comparar as Conquistas e dar dicas de como conseguir habilitar as mais cabeludas, como o Gametags Brasil e o Portal Xbox Brasil. ambos criam até paginas individuais dos jogadores, mostrando quantas Conquistas foram liberadas nos últimos dias e qual é a pontuação individual de cada jogo, com direito a gráficos e comparação com os outros usuários

Mas a brincadeira chegou a tal ponto que tem gente que já perdeu a sanidade. Além do meu caso com Avatar, tem um carinha que criou até um blog, com o sugestivo nome de Gamescore Hunter (www.gamescorehunter.wordpress.com). O cara alucinou. Quando não está terminando um jogo (qualquer jogo) pra conseguir as malditas Conquistas, ele está acompanhando a pontuação da concorrência pelo computador, que mostra o placar em tempo real. Depois disso falam que sou eu o louco.

Se ficarem curiosos, essas são minhas páginas pessoais no Portal Xbox Brasil e Gametags Brasil, com minha pontuação e estatísticas das Conquistas habilitadas, caso alguém aí queira disputar pra ver quem tem o maior Gamescore. A moda é nova, mas a mentalidade competitiva é a mesma de muitos anos atrás. Como eu falei a pouco, nosso objetivo é sempre o melhor placar.

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E pensar que há um ano atrás eu tava desempregado. Agora sim, posso comemorar esse feriado.

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Essa aconteceu nos EUA. Durante uma mesa redonda no Fox News, chamada sugestivamente de “Se´Xbox”, a psicóloga Cooper Lawrence afirmou que Mass Effect (jogão pra Xbox360) possuía nudez frontal e cenas de sexo. Quando um entrevistador perguntou se ela já havia visto o jogo, que acabara de ser lançado, ela soltou um “não” sem pestanejar.

Fãs xiitas dos videogames entraram em lojas virtuais como o Amazon.com e negativaram todas as resenhas dos livros da moçoila, com comentários seguindo o estilo “nunca li, mas é um lixo”. Ciente da asneira, a mulher se desculpou publicamente depois de alguns dias. Vai mexer com nerd, vai, sua lesada.

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Ao som de uma música romântica, Mário, Donkey Kong, Yoshi e Pikachu passeavam animadamente. De repente o bigode senta a mão no Yoshi, e todo mundo sai na porrada.

Comercial antigo de videogame sempre foi meio bizarro, mas esse daqui você tem que conferir com seus próprios olhos.

Super Smash Bros. – N64

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Veja a evolução dos games, de 1972 até o ano passado, passando por mais de 110 jogos.