Depois de quatro horas de espera, entro no carro e dou de cara com Darth Vader em pessoa. O fiscal do Detran me dá um bom dia seco, quase dá pra ouvir a respiração asmática e mecânica do vilão de Star Wars. Na mesma hora que sento no carro me dá uma vontade tremenda de cagar, e sinto a merda batendo na entrada do cu.

Dou uma travada no rabo, ajeito o retrovisor, banco, cinto de segurança. Embreagem, primeira marcha, seta pra esquerda, freio de mão, tira o pé da embreagem, acelero. A cinqüenta metros, hora da baliza. Tiro de letra. “O medo leva ao lado negro da Força”, já dizia Mestre Yoda. Entre setas e paradas obrigatórias é hora de sair numa subida.

Paro o carro. Embreagem, ponto morto, freio de mão. “Pode sair” fala Darth Vader. Seta pra esquerda, embreagem, primeira marcha, tira o pé da embreagem de leve, o carro dá uma levantada, acelera, freio de mão, o carro desce um pouco e sobe com um tranco brusco.

“Caralho, porra, buceta, tomá no cu seu viado!” penso, enquanto falo um palavrão cabeludo em voz baixa. Continuo o trajeto sem mais delongas. Seta pra lá, seta pra cá, e entre embreagens e trocas de marcha, encosto o carro.

“Tudo bem, parabéns”, diz Vader. Pronto, agora só falta um carro.