Nas últimas semanas o mercado de games brasileiro recebeu uma grande notícia: a Ubisoft, gigante francesa famosa por jogos como Rayman, Assassin´s Creed e Splinter Cell abriu um estúdio de desenvolvimento de games na nossa pátria amada Brasil, mais precisamente na Av. Paulista. Com cerca de 20 funcionários, entre programadores e designers, a função do estúdio não é criar jogos inteiros (a princípio), mas desenvolver partes de vários jogos, junto com mais 26 estúdios da empresa espalhados por todo mundo. Um exemplo básico: em um jogo de corrida, talvez o estúdio brasileiro fique responsável pela criação de algumas pistas ou carros, pra se ter uma idéia.

Um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco passo para a humanidade, já dizia Buzz Lightyear. A comunidade gamer deve bater palmas para a Ubisoft, pois é a segunda grande empresa do mercado de games a acreditar no Brasil (em quase 10 anos), onde 09 a cada 10 jogos vendidos é pirata.

O Brasil já é o maior criador de jogos para celular da América latina e as grandes universidades já começaram a vomitar os formandos dos cursos de criação e desing de jogos. Talvez esses sejam os principais motivos que levaram a Ubisoft a abrir um estúdio por aqui, não sei. O fato é que o Brasil já está no mapa mundi dos games há alguns anos. Tem o crescimento do mercado de games para celular (já citado), o lançamento nacional do Xbox 360 em 2007, coisa que não era vista por aqui desde o Nintendo 64, o aumento de jogos para computador traduzidos para o português e até a Eletronic Game Show, a feira badalada de games de 2004 e 2005, no melhor estilo da E3 (a antiga, por favor) e a inclusão do Brasil na turnê da Vídeo Games Live, já em sua 3ª passagem pelo país.

Imagine que isso é só o começo. Vamos avançar no tempo em, não sei, uns 15 anos. Até lá, com novas leis de incentivo fiscal e redução das taxas de importação de produtos de informática (um dos maiores vilões nacionais dos games), a Capcom, a Eletronic Arts e Activision, junto com uma porrada de outros desenvolvedores de games terão aberto estúdios no país. A Rockstar já teria criado mais um capítulo da sua franquia GTA, baseada na cidade mais inspiradora possível: o Rio de Janeiro. O programa software XNA, que a Microsoft disponibiliza gratuitamente para a criação de jogos para Xbox 360 (até lá será Xbox 720) seria matéria obrigatória no Ensino Médio e a Nintendo (novamente) e Sony deixariam de lado sua tradicional desconfiança oriental e abririam grandes fábricas na Zona Franca de Manaus, onde se montariam e embalariam seus consoles.

Isso sem falar na mão de obra especializada. Designers, programadores e os mais diversos artistas nacionais ficariam entre os mais qualificados e procurados numa indústria que movimenta mais que a indústria fonográfica e cinematográfica juntas, coisa que já acontece hoje.

Ah, e também teríamos um presidente que cresceu jogando Atari 2600 junto com seus irmãos nos anos 80.

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