Essa madrugada eu vi uma barata na parede do meu quarto. Quem me conhece bem sabe o pavor que tenho desses insetos. Após passar uma noite desconfortável no sofá da sala, acabei descobrindo de onde veio a maldita: de um velho baú mofado no meu quarto.

Naquele baú havia uma parte da história do jornalismo de games brasileiro. Entre edições de quadrinhos da Marvel (saga Massacre, principalmente), edições do jornal publicitário Meio & Mensagem e da revista Sci Fi News estavam cerca de 400 revistas de videogame, num período que abrange de 1991 a 2001. Ação Games, Super Game Power, Nintendo Word e Gamers foram as maiores revistas da década passada, revista que este que lhes fala comprava sempre, chegando a comprar as 4 edições juntas nos tempos mais prósperos.

O problema é que as revistas, acumuladas por tanto tempo em um baú num canto escuro do quarto, mofaram. Pra falar a verdade elas já haviam mofado e embolorado há anos, só que também fazia anos que eu não as folheava. Só havia algo a ser feito: lixo.

Antes de me desfazer de uma parte da minha infância e adolescência, nada mais justo que uma última folheada, in memoriam.

Com as mãos sujas de mofo e ácaros, fui relendo uma a uma, e relembrando momentos importantes da minha vida. Lembrei da auê que foi o lançamento do Playstation 2 (Ação Games nº 149, mar/01) e de como eu gostaria de dormir numa fila do Japão pra ser o primeiro a ter um. Voltando mais no tempo, recordei com saudade do lançamento do Nintendo 64 (Ação Games, nº 97, dez/95), sem falar no Gamecube e Game Boy Advance (Nintendo World nº 25, set/01) e até li inteira uma matéria sobre o lançamento do Neo Geo CD (Ação Games nº 82, maio/95).

Li com uma lágrima nos olhos os previews, reviews e dicas de jogos que, de uma forma ou outra, mudaram minha vida. Jogos como Killer Instinct, do saudoso Super Nintendo, que foi o primeiro e único jogo até hoje que me fez calos nos dedos, enquanto eu me matava tentando soltar os Ultra Combos de 80 hits (Ação Games nº 108, out/96) e também Legend of Zelda: Ocarina of Time, que terminei graças a um detonado (Nintendo Word nº 04, dez/98). Sem falar de Super Metroid (Super Game Power nº 03, jun/94) e ResidentE vil 2 (Gamers nº 28, de 1998).

Mas também tive lembranças de péssimos jogos, como Tom & Jerry para Master System (Ação Games nº 24, dez/92) e do horroroso War Gods para Nintendo 64 (Super Game Power nº 41, ago/97), que não passava de um clone muito mal feito de Mortal Kombat. Também relembrei de revistas que não vingaram no mercado editorial, como a Gameforce e a Mega Score, muito boas por sinal.

Após cerca de 4 horas sentado e lendo, foi hora de jogar tudo na caçamba do carro e rumar pro ferro velho. Quase tive um ataque ao saber que mais de 15 anos de história me resultou em pouco menos de 5 reais, que fará parte da compra de uma cópia pirata de Battlefield: Bad Company  (Revista Xbox 360 nº 20, ago/08).

E tudo isso começou no longínquo ano de 1991. Meu Atari tinha quebrado e acabei ganhando um Master System, com Sonic na memória e o cartucho do game do Michael Jackson, Moowalker (Ação Games nº 3, jul/91).

**********
Apesar de tudo tenho que afirmar: o verdadeiro amor pelos games não está em uma pilha de revistas velhas. Ele está no seu coração.

**********
Atualmente leio 3 revistas mensais: EGM Brasil, Revista Xbox 360 e Gamemaster. Já são cerca de 50 revistas acumulando em meu quarto. Essas eu ainda não me desfiz. Ainda levará uns 15 anos pra isso.

**********
Nesse momento saudosismo acabei descobrindo uma pequena mina de ouro: um site que contém arquivos em pdf de várias revistas de games dos anos 90. Por que eu não tinha descoberto isso antes?

**********
Informação nova sobre Rock Band 2. Se for pra colocar numa balança, até que dá pra sair no lucro.