O auge da premiação publicitária ocorre uma vez por ano em Cannes, onde os melhores da propaganda mundial são premiados nas categorias bronze, prata e ouro. O ganhador de “melhor campanha integrada”, que significa uma campanha integrada de várias ações, foi o case Believe, do jogo Halo 3, feito pela agência MaCann Erickson de São Francisco.
 
O vídeo abaixo é uma narrativa de todo processo da campanha, e vale muito a pena ser visto. O vídeo começa com a seguinte constatação: “Nos foi pedido, que as pessoas que não gostavam de Halo, não davam importância para o Halo ou não conheciam o Halo, comprassem o Halo 3. (…) Então nós mudamos a pergunta “Como você vende um videogame?”para “Como você honra um herói?”.

A partir dessa pergunta, foi criado um museu fictício, intitulado Museum of Humanity, para homenagear os combatentes da batalha de Halo 3 e celebrar a vitória da raça humana que escapou de sua dizimação. A principal peça do museu é uma maquete de absurdos 365 metros quadrados que reproduz o campo de batalha, e o comercial para televisão e cinema foi produzido com imagens dessa maquete.

O próximo passo foi disponibilizar um tour virtual sobre a maquete no site oficial, como se o visitante estivesse bem no meio da batalha. É um tour fantástico, maravilhoso mesmo, onde você comanda a câmera através do mouse ou do teclado, e pode tirar fotos enquanto fica boquiaberto. Ao passar por inimigos, armas e combatentes, o vídeo te dá a opção de aprender sobre o que é mostrado na imagem.
 
Sabe aqueles vídeos de testemunhais dos veteranos da Segunda Guerra? Também é possível aprender fatos sobre os inimigos e os combates através de depoimentos dos soldados que participaram da guerra de Halo 3. Os veteranos descreviam como eram os combates, quais eram suas funções no campo de batalha e como Master Chief era um líder que nunca perdia as esperanças. São vídeos fantásticos, carregados de emoção e extremamente bem produzidos, chega um momento que você até acredita no inferno pelo qual os soldados devem ter passado.

Um mini documentário foi produzido falando sobre a construção do monumento exposto no museu, para dar um ar mais real ainda à campanha. O documentário mostra como todos os soldados envolvidos na batalha haviam tido seus rostos digitalmente scanneados, através de dados armazenados do governo, e como os bonecos dos inimigos foram moldados através dos cadáveres achados no campo de batalha. Também é mostrado que o cenário da maquete foi inteiramente desenvolvido em cima de plantas das estruturas reais que foram destruídos durante a guerra. A narrativa é extremamente verossímil e emocionante.

Depois disso, as pessoas passaram a ver Halo 3 não apenas como um jogo, mas sim como uma história onde havia ação, emoção e batalhas intensas pela sobrevivência humana, e Master Chief era o grande herói por trás de tudo isso. Para homenagear o herói, foram espalhadas diversas ações por várias cidades do mundo. Uma exposição fotográfica sobre a guerra, disponível no site e em algumas localidades onde era possível ver pessoalmente murais em paredes de ruas, placas comemorativas, selos de correspondência, tudo para homenagear Master Chief.

O mostruário de fotografias online conta a história de Jake Courage (2503-2552), um fotógrafo de guerra que documentou as imagens que percorreram vários lugares do mundo contanto a guerra de Halo 3, e também mostra as últimas imagens do herói Master Chief. Eu até poderia colocar algumas imagens aqui, mas é muito melhor ver no próprio site da exposição.

Pessoas que nem conheciam o jogo estavam comentando a respeito, e outras pessoas começaram a fazer seus próprios monumentos em homenagem ao herói. Halo 3 teve o maior número de pré-vendas já registrado até então, e no seu primeiro dia de vendas alcançou U$170 milhões, ultrapassando campeões de bilheteria como Spider-Man 3, fato que na época, colocou o jogo como sendo o maior lançamento na indústria do entretenimento, não somente no setor de videogames (esse título pertence atualmente ao GTA IV).
 
“Halo 3 havia se tornado mais do que um jogo. Ele se tornou um fenômeno cultural mundial. Tudo que as pessoas precisavam fazer era acreditar”.

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Mas nem tudo no mundo da publicidade é festa. Nada como mostrar a tecnologia de ponta que os aparelhos eletrônicos têm a oferecer, como fazer um comercial onde eles falam.
 
Para expressar a fala dos aparelhos, eles abrem e fecham seus drivers e piscam suas luzes no ritmo da fala. Tem até um Xbox 360 conversando, piscando suas três luzes vermelhas e tudo mais. Só que esqueceram de avisar a produtora de vídeo que quando o videogame acende essas tais luzes, isso significa que há algo de errado com o aparelho. De fato, quando o Xbox 360 queima de vez, somente as três luzes vermelhas é que ficam acesas.


A publicidade impressa também tem a sua vez. Nessas horas alguém TINHA que aparecer lá com a revista na mão e falar “Oi cara, tudo bem? Eu queria jogar esse joguinho que o menino da propaganda está jogando no meu Xbox 360 que nem ele, você pode ir pegar pra mim por favor? Obrigado”. Ou será que isso é algum aviso subliminar de que Metal Gear 4 irá sair pro Xbox 360?

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E pra quem ainda não acredita que o mercado de games no Brasil ta indo pra frente, essa notícia talvez cale os chatos de plantão.

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Pra fechar, essa vai para os tarados de plantão: o famoso vídeo da Chun Li, no longa animado do Street Fighter.