Na fase de ouro dos videogames, quando os jogos mais impressionantes pareciam desenhos animados feito de Lego e uma televisão pesava o mesmo que um ser humano de médio porte, não era incomum que um jogo permitisse duas pessoas virarem parceiros e metralhassem alienígenas juntos. Isso era chamado de co-op, ou cooperação, e era uma coisa linda de se ver. Os jogadores gastavam horas esmagando botões e praticando todos os tipos de palavrão na frente de um pedaço de plástico cinza chamado videogame. Infelizmente, quando os jogos evoluíram para a terceira dimensão, o co-op foi desaparecendo na mesma proporção.

Ultimamente, porém, com modernos jogos de metralhar alienígenas – Gears of Wars e Halo 3 quem o diga – parece que o co-op voltou às graças do povo. Muitos dos jogos mais esperados do ano, como Fable 2, resistance 2, Left 4 Dead e ResidentE vil 5 possuem a tão nostálgica opção de jogar no modo cooperativo, mas com uma sutil diferença: não é preciso ter alguém ao seu lado para isso, basta se conectar na rede e poder jogar com alguém do outro lado do planeta.

Sob certos aspectos, esse novo modelo de co-op nada mais é que uma evolução dos games durante a era da internet. Nossos chiquérrimos videogames nos deixam sempre conectados nas casas de nossos amigos de qualquer forma, então por que não jogar juntos? É claro que jogar online é algo que já é feito há mais de 10 anos, mas os tipos de games jogados naquela época normalmente não encorajavam a socialização. Eram os famosos jogos de tiro com seu modo deathmath, o famoso mata-mata. Tudo indica que o co-op seja uma resposta a esse tipo de jogatina. Se podemos nos digladiar numa arena até a morte, porque não juntarmos forças para atingir um objetivo em comum?

Até hoje, quanto entro numa partida online de Halo 3 ou Call of Duty 4, eu sempre me sinto como o garotinho de óculos na hora do recreio, que sabe que será pentelhado e zoado por algum grandão. Eu entrava nas arenas de batalha e em menos de 2 minutos já tomava um headshot. Até pegar a prática do jogo, muita gente teria desistido. É claro que o tempo passa, o tempo voa, e agora quem dá os headshots sou eu, mas isso é uma outra história.

Com o co-op tudo é diferente. Jogando Gears of Wars 2 com um grande amigo de Jacarei via Xbox Live, tudo fica muito mais divertido. Se ele corre feito o Rambo atrás de um monte de alienígenas, lá vai eu atrás dele dando cobertura. Se estou cercado por um monte de inimigos, vem uma granada amiga que faz tudo ficar parecendo um açougue. Coisas que pareciam impossíveis de se fazer sozinho se tornam fáceis, já que há outra pessoa ao seu lado te ajudando.

As produtoras e desenvolvedoras de games estão entendendo que, se a gente joga junto e conversa sobre o jogo, isso torna a experiência mais agradável. Você joga a história e curte junto, não diferente de assistir um filme junto com outra pessoa. O filme não muda, mas o fato de eu poder conversar com alguém sobre ele, rir e ouvir a outra pessoa rir, isso é muito poderoso. Diferente do mata-mata, em que é cada um por si.

Por isso que grande parte da popularidade do co-op vem do fato de que as pessoas não querem mais passar seu tempo de jogatina sozinha. Jogar videogames na maioria das vezes é um ato solitário, mesmo online. O co-op muda isso. Então lanço a pergunta: quem quer atirar em um monte de aliens comigo?