Essa é a história sobre um homem chamado Harold Crick e o seu relógio de pulso. Harold Crick era um homem de números infinitos, cálculos sem fim e pouquíssimas palavras. E seu relógio de pulso falava ainda menos.

Todos os dias da semana, durante 12 anos, Harold escovava cada um dos seus 32 dentes, 76 vezes. 38 vezes para trás e para frente, 38 vezes para cima e para baixo. Cara dia da semana, durante 12 anos, Harold dava um nó simples em sua gravata em vez de um nó duplo, assim economizava 43 segundos. Seu relógio achava que o nó simples deixava seu pescoço mais gordo, mas não disse nada.

Todos os dias da semana, durante 12 anos, Harold corria a uma velocidade de 57 passos por quarteirão, por seis quarteirões, quase perdendo o ônibus das 8h17 para o trabalho. Seu relógio adorava a sensação do vento batendo em seu rosto. Todos os dias da semana, durante 12 anos, Harold revisava 7.134 arquivos fiscais como um agente sênior da Secretaria da Receita Federal, tirando apenas 45 minutos e 7 segundos de almoço e 4 minutos e 30 segundos para o intervalo do café, marcados precisamente pelo seu relógio de pulso.

Além disso, Harold vivia uma vida de solidão. Andava para casa sozinho. Comia sozinho. E precisamente às 23h13, todas as noites, Harold ia para a cama sozinho, colocando seu relógio de pulso para descansar na mesinha ao lado dele.

Mais Estranho que a Ficção

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