O que faz um jogo ser tão bom? O fator diversão pra mim sempre vem em primeiro lugar. O importante é divertir, e o resto vem em segundo lugar. Pac Man é divertido, mesmo depois  de 30 anos. Outros jogadores podem torcer o nariz e dizer “que se foda os outros jogos, o melhor é GTA”. De fato, GTA é muito divertido de se jogar, além de ter uma ótima história por trás daquela série de atropelamentos de pedestres.

Criatividade é outro fator chave. Pense: quantos jogos de tiro existem hoje no mercado? Quantos jogos em que você controla um brutamontes atirando em alienígenas/zumbis/nazistas você jogou no último ano? Sim, fazer isso é divertido também, mas não é o maior exemplo de criatividade do mundo e eu poderia escrever um post enorme comentando sobre o assunto. Talvez escreva, mas não agora.

Às vezes, para compensar a falta de um dos elementos acima, as produtoras de games usam outros artifícios em seus games. Call of Duty 4 (PC, Xbox 360 e Play 3) seria só mais um jogo de tiro entre centenas já existentes no mercado, se não fosse por seus gráficos poderosos, enredo envolvente e multiplayer matador. Isso, invariavelmente, tornou o game mais divertido. Resultado: mais de 40 prêmios mundiais, incluindo Melhor Jogo do Ano 2007.

Mas poucos jogos ultrapassam a barreira da mera diversão e se tornam verdadeiras obras de arte. GTA, Callf of Duty 4 e Gears of War 2, mesmo com seus trocentos prêmios e sendo sucesso de vendas no mundo inteiro, não são considerados obras de arte. São ótimos games, mas não alcançaram aquele estado de Graça, que servirá de referência para as gerações futuras. Ambos possuem ótimos roteiros, gráficos e tudo mais, mas você sente que falta algo. Falta emoção.

Agora, como se define um jogo que vira uma obra de arte? Na verdade não existe uma regra clara quanto a isso. Existem jogos que são declarados obras de arte pela imprensa especializada, porém são fracassos estrondosos de vendas. Okami (Play 2 e Wii) é um exemplo que me vem à mente. Com cenários que parecem pinturas, história envolvente e profunda sobre o folclore japonês e controles inovadores, o jogo está em quase todas as listas dos melhores do mundo (feitas pela imprensa), mas quase nenhum jogador do ocidente jogou essa obra prima. Fez relativo sucesso no Japão, mas por aqui o game é inexpressivo.

Outro jogo ovacionado pela crítica é Shadow of Colossus (Play 2). Você, um cavalo e 16 inimigos gigantescos espalhados num jogo de cerca de 10 horas e um mundo maior que Liberty City num jogo que me deixou emocionado várias vezes a ponto de rolar uma minilagriminha em vários momentos do jogo. Considerado obra prima por várias revistas e sites de games, com sua direção de arte impecável, com criaturas e cenários baseados na cultura inca (ou maia, ou asteca, não me lembro) com uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi. Vendi o game junto com meu Play 2 há mais de um ano, e o atual dono nem sabe que ele existe.

Como eu disse antes, não existe uma regra para definir uma obra de arte. É o jogador que sabe, que percebe que está jogando uma obra prima. A mesma pessoa que se apossou de meu antigo console acha Winning Eleven o melhor jogo da Terra. Eu o abomino por isso. Gosto é tudo.