No ano passado a Xbox Live foi tomada de assalto por um jogo inovador, aclamado pela crítica e pelos jogadores como um dos melhores games já lançados para o sistema de downloads da Microsoft. Braid mostra a aventura de Tim para salvar A Princesa, que foi seqüestrada por um vilão de seu castelo.

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Em abril desse ano o game foi lançado para Windows com a única diferença de possuir agora tradução para 8 idiomas, inclusive o nosso Português, aquele da terrinha de Cabral. Mas como, ó intrépido leitor, um jogo com um enredo tão simples como esse poderia causar um burburinho tão grande na comunidade nerd gamer psycho? Vamos por partes.

O que mais encanta no princípio são os gráficos. Num primeiro instante você pensa que está diante de uma pintura, um óleo sobre tela seguindo o estilo impressionista de Renoir ou Monet.  Todos os desenhos dos cenários foram criados pelo artista David Hellman, o mesmo responsável pela arte da série gringa de quadrinhos A Lesson Is Learned, But The Damage Is Irreversible, traduzido como A lição é aprendida, mas o dano é irreversível. Alguma ligação com a temática do jogo? Mais ou menos. Que tal se pudéssemos errar, aprender com os nossos erros, e em seguida retroceder para, assim, anular todos os efeitos ruins? Como descobrimos logo no começo do game, Tim cometeu um erro.

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Depois o que salta das caixinhas de som do computador é a trilha sonora. Melancólica às vezes, calma e serena em outro momento, as músicas possuem um arranjo espetacular, com muito uso do violino, seguindo o mesmo estilo clássico dos cenários. É interessante perceber também que, conforme se usa o recurso de voltar no tempo, as músicas também são tocadas ao contrário, o que produz um efeito muito mais incisivo.

Sim, meu sapiente leitor. Um dos maiores atrativos do jogo é ter o poder de manipular o tempo ao seu favor. Deu um salto errado? Segure shift que o personagem volta ao ponto de origem, como se estivesse retrocedendo um DVD. Vários jogos já utilizaram um efeito semelhante, como o jogo de aventura Prince of Persia: the Sands of Time, o game de tiro Timeshift e, por deus, até um game de corrida (G.R.I.D).

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Mas manipular o tempo não é só uma perfumaria no game. Você usa o recurso para, além de se safar de um pulo mal calculado, resgatar peças de quebra-cabeça espalhadas pelo cenário. São 60 espalhadas pelo game. Algumas, basta um pouco de raciocínio para resolver os puzzles, outras são verdadeiros testes de inteligência e lógica para pegar as malditas pecinhas. Não é só um game do tipo “para salvar a princesa, vá do ponto A para o ponto B”. Não é necessário lembrar que, sem as peças, nada de Princesa.

E por falar em Princesa, chegamos ao enredo do game. Parece que é só mais um game “Salve a Princesa”. Super Mario quem o diga. Mas antes da primeira fase já somos apresentados à narrativa, a princípio infantil, mas que vai ficando aos poucos cada vez mais envolvente. “Tim anda a procura da princesa para salva-la. Ela foi raptada por um monstro horrível e malvado. Isso aconteceu porque Tim cometeu um erro”. A história começa a enveredar por caminhos e mensagens filosóficas a partir daí, e conforme vamos jogando conhecemos um pouco mais da complicada relação de Tim com a Princesa, até chegarmos ao fatídico erro cometido por nosso herói. Tudo escrito de maneira primorosa, quase poética, e apresentado no início de cada fase, em doses homeopáticas, como se fosse um incentivo para terminar o próximo estágio só para sabermos mais da fascinante história.

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A interessante mistura entre ação clássica de plataforma, manipulação do tempo e puzzles inteligentes fazem de Braid uma das melhores e mais originais opções de game dos últimos tempos. Braid ainda é a prova de que um jogo não precisa necessariamente de produções milionárias e gráficos em 3D para poder encher os olhos e trazer emoções à tona. Mesmo trazendo o clássico esquema plataforma 2D dos primórdios de jogos como Super Mario e Sonic, os cenários são extremamente ricos, belos e envolventes.

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Onde é que o especial leitor vai encontrar uma maravilha dessas pra poder desfrutar em seu PC, no conforto de seu lar? O game foi dividido em duas partes para download, aqui e aqui. Para jogá-lo ainda é necessário incluir na pasta do game um arquivo .dll, que é encontrado aqui.

Nostálgico. Criativo. Envolvente. Entra fácil na lista dos melhores do ano.

Braid trailer