O cinema dos anos 80 produziu uma grande quantidade de filmes significativos que podem ser considerados hoje verdadeiros clássicos modernos, dentro dos mais variados estilos cinematográficos. Vai desde o cinema-macho de Rambo, passando pelo filmaço de terror Hellraiser, até comédias como Curtindo a Vida Adoidado. Cada um trouxe uma contribuição, à sua maneira, para nossas vidas.

A ficção científica não deveria ficar de fora dessa e foi muito bem representada nessa época. Um dos maiores destaques é Robocop, dirigido por Paul Verhoeven em sua estréia no cinema americano. O filme se passava em um futuro não muito distante e contava a história de Alex Murphy, um policial que atuava nas ruas violentas de Detroit. Após uma perseguição, Alex é brutalmente assassinado por uma quadrinha de assaltantes. A cena é uma das mais violentas do filme e confesso que me marcou atré hoje.

A Omni Consumer Products, Uma mega corporação que parece uma mistura de Coca Cola x Umbrella x Microsoft x Massive Dynamics, usa o corpo do finado policial no projeto Robocop. Colocado nas ruas, ele logo prova sua eficiência e assume o papel de defensor da lei e da ordem nas ruas da decadente Detroit, que está carcomida pelo crime e corrupção. Porém, aos poucos suas lembranças humanas vão retornando, fazendo com que ele siga em uma cruzada para se vingar de seus assassinos. No meio do caminho, nosso herói de peito de aço (rá) descobre que a OCP não é tão boazinha quanto parece.

Até hoje o filme entra em qualquer lista de melhores da ficção científica, seja em revistas, sites ou em uma conversa de botequim. Tudo graças a um roteiro interessante apresentando a visão de um futuro pessimista e obscuro, com o domínio da violência urbana e a proliferação dos interesses financeiros das grandes corporações em detrimento do bem comum.

Assim como Star Wars, Indiana Jones e De Volta Para o Futuro, o filme possuía uma música tema memorável, que permanece na mente dos fãs há mais de 20 anos. Foi indicado ao Oscar de 1988 nas categorias Trilha Sonora e Efeitos Sonoros, vencendo nessa segunda.

Robocop – trailer

O filme original se transformou numa mina de ouro. Em 1990 foi lançado Robocop 2, com roteiro de Frank Miller (300, Sin City), o filme não atingiu nem a metade do que fez o primeiro, mesmo sendo considerado um bom filme por este quem vos digita. Na segunda produção, após ele ser seriamente avariado num confronto com seus algozes no final do filme original, Robocop agora combate o tráfico de drogas em Detroit, dominada por uma nova droga chamada Nuke. Após a morte do principal traficante da cidade, a OCP decide criar uma nova arma contra o crime com o seu corpo, chamando-o oportunamente de Robocop 2, um andróide mais avançado e agressivo, movido a doses cavalares de Nuke. Não é preciso dizer que o projeto dá em merda e que cabe ao Robocop original dar cabo do vilão do filme.

Apesar de ter efeitos melhores, o filme peca numa das principais características do original: mesmo sendo tão violento quanto o primeiro filme, Robocop 2 parece que não é levado a sério. No filme, Robocop é cheio de piadinhas e momentos que não entram no contexto de uma cidade dominada pela violência. Soma-se a isso um roteiro que não é um dos melhores considerados pela crítica e público e temos um filme mediano.

Robocop 2 trailer

Em 1993 a coisa descambou de vez com o lançamento de Robocop 3. Com o roteiro assinado novamente por Frank Miller, o filme é considerado o pior da trilogia, tanto em efeitos especiais, roteiro, interpretação, enfim, tudo. A gigantesca OCP, numa fusão com a mega corporação japonesa Kanemitsu Corporation, inicia a construção de uma nova cidade no lugar da velha Detroit, a nova e lucrativa metrópole Delta City, despejando seus habitantes e tendo apenas interesses políticos e econômicos. Robocop, puto da vida com a injustiça provocada, decide ficar aos lados dos sem-teto numa batalha contra a organização que o desenvolveu.

Se o segundo filme tinha pelo menos a violência que nos servia de consolo, nesse filme nem isso existia. Sem falar nas cenas e falas “engraçadas” do nosso policial, me fazendo arrancar os cabelos de tanta raiva e desgosto.

Robocop 3 Trailer

Após o terceiro filme, parece que a franquia estava enterrada de vez nos cinemas. Mas só nos cinemas, pois além dos filmes, foi lançado um desenho animado em 1988, que chegou a passar no Brasil pela TV Colosso(veja a abertura do desenho aqui), e outra série animada em 1998( cena de abertura com música ridícula aqui), várias histórias em quadrinhos e jogos de videogames para diversos consoles, passando pelo Master System até o Playstation 2. Também ocorreu a produção de duas (!!) séries de TV: Robocop: The Series, produzida em 1994, que durou uma temporada com 23 episódios, chegando a ser exibida pela Globo, e outra feita em 2000. Esta mais recente, na verdade, uma mini série em 4 episódios.

Robocop: The Series

E é sobre ela o motivo do enorme post. Eu curti todos os produtos da franquia Robocop. Desde os desenhos animados que assisti até a série de 1994, que acompanhei com afinco mesmo quando passava tarde da noite. Até mesmo o terceiro filme eu gostei (na época que assisti pela primeira vez eu ainda não tinha um gosto tão apurado para cinema). Mas a mini série Robocop: Prime Directives é ruim de dar dó.

O canal Bandeirantes, ao que parece, exibiu o primeiro episódio ontem, quinta feira, como se fosse um filme chamado Robocop – Justiça Perversa. Eu, num ataque de masoquismo, resolvo assisti-lo. Meus olhos quase sangraram tamanha a ruindade que vi, fazendo um pouco de vômito me subir na garganta a cada diálogo e cena ruim. Pelo que percebi no “filme”, Robocop está velho e obsoleto, e ainda está no velho ofício de patrulhar as ruas da fictícia Delta City. Agora ele trabalha ao lado de seu antigo parceiro na época que ele era vivo, John Cable (futuro RoboCable na mini série- pausa pra ir vomitar, argh), que não sabe nada sobre o passado de seu parceiro de metal. Também está no elenco o filho de Alex Murphy, que virou um jovem executivo em ascenção na OCP, que se tornou um lugar onde reina a lei da selva, com executivos tentando passar a perna um nos outros.

Pesquisando mais sobre o tema, acabei encontranto no pai dos burros 2.0 um pequeno texto sobre essa produção chinfrim, o que me deu medo ao ver o nível que a franquia desceu. Há ainda por cima a notícia de que Paul Verhoeven, concordando com a falta de criatividade de Hollywood,  pretende dirigir um remake de sua mais conhecida obra. Se for tão ruim quanto as ultimas produções, eu juro que vomito tudo num pote e mando entregar pessoalmente pro responsável da tralha. Promessa é dívida.

Anúncios