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No início do milênio a nação entra em colapso. Com uma taxa de desemprego de 15%, dez milhões de japoneses não possuem emprego e 800 mil estudantes boicotaram as escolas. Os adultos perderam a confiança e, temendo os jovens, eles aprovaram o Ato de Reforma Educacional do Milênio, também conhecida como Lei Battle Royale.

Assim começa o filme japonês Batalha Real, produção de 2000 com direção do lendário Kinji Fukasaku, da qual Tarantino é fã assumido. Os níveis de delinqüência juvenil atingiram níveis estratosféricos, fazendo que as escolas se tornassem um dos lugares mais violentos do país. A população adulta, com medo, apóia a solução do governo chamada Battle Royale.

Ela consiste de uma idéia simples. A cada ano a turma escolar mais delinqüente é levada a uma ilha deserta, onde participam de uma espécie de survival game onde devem lutar entre si, até que só sobre um aluno. As regras do jogo são claras: todos recebem uma mochila com um kit de sobrevivência, incluindo uma arma. Esta, por sua vez, pode ser uma arma de fogo, faca, granada, foices, veneno, arco e flecha e outras armas não tão úteis. Todos recebem um colar especial que previne que eles escapem da ilha. Ao final de três dias, se sobrar mais de uma pessoa, todos os colares explodem.

Dadas as regras e com cada aluno devidamente armado, o jogo começa. Antigas rixas, amizades duradouras e a natureza humana serão colocados a prova, até que apenas um saia vivo. Durante o filme descobrimos algo que é óbvio, e isso se chama instinto de sobrevivência. Esse é o verdadeiro comportamento da raça humana, que abandona a hipocrisia e falsidade do cotidiano e resgata a mais profunda selvageria interior se for para defender seus próprios interesses.

Não há rostos conhecidos (pelo ocidente) no filme, mas pude reconhecer o ator Takeshi Kitano (o japonês fodão de Brother) interpretando o prof. Kitano, mestre da turma selecionada desse ano. O enredo é obra do escritor Koushun Takami, autor do livro que inspirou o filme. A adaptação é um dos dez maiores sucessos de bilheteria no Japão e rendeu um mangá dividido em 15 volumes (lançado no Brasil, aliás) e uma continuação em 2003 dirigida novamente por Fukasaku.

No início é estranho como uma obra dessas não chegou ao ocidente e nem ganhou um remake americano, mas se olharmos mais para trás dá pra entender um pouco o motivo. O filme foi produzido na mesma época do conhecido massacre na escola de Columbine, e nenhuma distribuidora americana se interessou em comprar os direitos de exibição do filme. O longa começou a ganhar fama quando Tarantino fez um comercial para a edição especial do DVD, babando o ovo para o filme. Aliás, foi depois de ver Batalha Real que o diretor decidiu escalar a atriz Chiaki Kuriyama para Kill Bill, no papel da adolescente psycho Gogo Yubari.

O filme saiu em DVD em 2007 no Brasil em edição especial dupla com uma caralhada de extras e é altamente recomendável como um dos ótimos exemplos do cinema de horror japonês. Clássico.

Batalha Real – trailer