O cinema americano já perdeu sua criatividade faz tempo. Pense: dos grandes filmes lançados nesse ano, quais não foram refilmagens/versões/sequências/adaptações de livros, quadrinhos ou jogos? Cite algum filme original bom em 2009 ou morra. Por isso que às vezes precisamos recorrer a meio exclusos para nos desintoxicar e assistir a algo novo. Baixar um ótimo filme de terror independente espanhol ou francês ajuda. Descobrir aquele filme japonês cult que o Tarantino é fã também. E assim caminhamos felizes. Até procurar um filme clássico e inovador, do tipo Sessão da Tarde, vale a pena.

Com as séries é a mesma coisa. Juro que vou dar um tiro na TV se eu assistir a mais uma série que se passa em um hospital ou sobre alguma equipe policial. Claro, tem muita série médica e policial boa, sem falar nas séries de ficção ótimas, como Fringe e Lost. Mas há momentos que você pede por algo novo, que fuja daquele padrão americano enlatado de se produzir séries.

Dando minhas braçadas digitais, fui descobrir na Terra da Rainha uma série que já pode entrar na lista das melhores do ano. Being Human, produzida pelo canal estatal BBC Three, a série é focada em um fantasma, um lobisomem e um vampiro que dividem uma casa em Bristol. Longe de ser uma comédia, a série mostra os esforços dos personagens para se parecerem como seres normais. Mitchel, o vampiro, se esforça para controlar sua sede e chega a parecer um viciado em alguns momentos, tamanha é sua crise de abstinência. O lobisomem George foge sempre em noites de lua cheia para se esconder em lugares distantes do contato de qualquer ser humano. Já Annie ainda tenta compreender o motivo de permanecer entre os vivos mesmo depois de morta. Todos tentando levar uma vida normal, mas lutando para manter seus segredos obscuros e seguindo na sua luta contra seus males e inimigos que querem derrubá-los. E sem esquecer do chá das 5.

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O tom que a série possui é uma mistura de drama, comédia e uma pequena dose de terror – não há aquelas baitas cenas de sangue e carnificina. O que fica claro também é que as condições sobrenaturais dos personagens não passam de um detalhe, onde a discussão maior e mais inteligente seria em torno de questões pseudo-filosóficas, como as chamadas minorias, a auto-aceitação, a intolerância, os relacionamentos e a busca dos personagens por um senso de humanidade, numa tradução porca do título da série.

Uma parte de destaque da série é a trilha sonora, já que podemos ouvir os melhores exemplos da música britânica direto da fonte, seja Franz Ferdinand ou Joy Division (tem até um fantasma que é a cara do Ian Curtis). Outro detalhe legal são os efeitos especiais. Em uma época de uso orgasmático de computação gráfica, é legal ver a transformação de George em um lobisomem do mesmo jeito mostrado em Um Lobisomem Americano em Londres, feita à moda antiga. Nada exagerado.

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Mesmo assim há alguns vícios usados, como a musiquinha pop enquanto acontece uma ceninha leve e engraçada, e a música deprê e triste, com uma cena em câmera lenta de alguém sofrendo horrores e quase morrendo de tristeza. Nada muito sério e não nos faz ter a vontade de morrer, como em Grey´s anatomy.

Também fugindo do padrão americano de possuir temporadas com mais de 20 episódios, a primeira temporada de Being Human possui apenas 06 ótimos episódios, com quase uma hora de duração (fugindo dos 40 minutos das séries do outro lado do atlântico), e já foi confirmada uma nova temporada, mas ainda em fase de produção.

Being Human Trailer

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Sem falar no melhor da série: o sotaque.