Sam Dunn é um antropólogo cabeludo com 30 e poucos anos de idade e um fã de heavy metal desde a o início da tenra adolescência. Depois de anos estudando culturas diversas na Universidade, o canadense decide fazer algo que juntaria, a seu ver, o útil ao agradável: descobrir as origens do heavy metal, o gênero derivado do Rock´n Roll mais nervoso e capaz de fidelizar e enlouquecer milhões de pessoas mundo afora. Sam consegue balancear o fã e o profissional que existe dentro dele na medida certa, criando um estudo que lança um olhar antropológico sobre esse gênero, mostrando suas ligações com a violência, sexualidade e religião.

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Esse é o tema do excelente documentário Metal: A Headbanger’s Journey. Fruto de cerca de 5 anos de pesquisas e entrevistas, Sam passou a maior parte do tempo viajando entre os Estados Unidos e Europa, visitando locais como o Wacken Open Air (o maior festival de heavy metal do mundo) e locais onde surgiram as principais bandas da história e entrevistando fãs e grandes nomes do metal (Dee Snider,  Alice Cooper, Robbie Zombie, Bruce Dickinson, Lemmy Kilmister, Geddy Lee, entre outros) e, com isso, traça uma breve história do surgimento desse grande estilo musical, desde sua fase inicial, no final dos anos 60, até hoje. Mostra as origens no blues, música erudita e ópera, os temas satanistas e a perseguição da censura americana nos anos 80. 

A religião é um capítulo a parte. Vemos depoimentos de Tony Iommi dizendo que as temáticas sombrias do Sabbath nunca passaram de mera diversão juvenil e simples marketing. O tampinha Dio conta a verdadeira origem do gesto clássico conhecido por 10 entre 10 headbangers e Tom Araya, do Slayer, tenta explicar como faz para não confrontar sua veia católica com as temáticas pesadas dos títulos de músicas e álbuns de sua banda. Detalhe especial para a visita de Sam Dunn a Noruega, terra natal do Black Metal, onde os músicos são os únicos que levam a sério a história de que o metal é o veículo sonoro das trevas do Tinhoso. 

Sexo também a assunto recorrente no documentário. São discutidos temas que vão desde groupies, a viadagem nos anos 80 com músicos com roupas afeminadas e a falta de mulheres nas bandas (fato que, ainda bem, mudou nos últimos 15 anos pra cá) e a polêmica em cima de muitas músicas com teor duvidoso. Uma das melhores partes é, sem dúvida, o depoimento de Dee Snider (Twisted Sisters), que foi considerado o Inimigo Número Um da Liga das Mulheres Super Católicas da América (nome inventado, claro). 

Para quem não tem a mínima idéia do que seja heavy metal, o documentário será um esclarecedor curso intensivo de 96 minutos de duração sobre o tema. Para quem já é fã e resiste amando o metal firmemente, difundindo a Palavra e mantendo-se sempre fiel, é um filme obrigatório.

Metal – A Headbanger´s Journey Trailer (Legendado)

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Depois da divulgação e exibição do documentário, Sam Dunn recebeu milhares de e-mails de fãs agradecendo-o por ajudar a difundir o gênero musical e dar a ele o devido respeito. O que surpreendeu o simpático cabeludo foi o fato de muitos e-mails virem de locais que ele nem imaginava que havia um cenário heavy metal tão difundido. 

Claro, ele conhecia bandas como Sepultura e tinha alguns álbuns gravados ao vivo no Japão. Mas a enxurrada de e-mails o fez pensar: Há anos os antropólogos estudam os efeitos da globalização, mas nem ele havia considerado o heavy metal nesse processo.

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Conforme sua música se espalhou pelo globo, a pergunta que ficou no ar foi a seguinte:  quais são os novos significados que o heavy metal adquiriu junto aos fãs desses países com diferenças políticas, culturais e religiosas tão grandes? Porém, a resposta para essa pergunta Sam Dunn não encontraria nem na América do Norte nem na Europa. 

Esse é o tema de Global Metal, uma espécie de continuação do seu primeiro documentário. A bola da vez é viajar ao redor do mundo e conhecer a cena heavy em escala global. Nesse novo filme Sam Dunn viaja para o Japão, China, Indonésia, Israel, pelo Oriente Médio e para o Brasil mostrando como o heavy metal atinge os jovens que crescem em culturas tão diferentes, com o objetivo de descobrir o que o Metal significa para estes fãs e músicos.

O documentário revela uma comunidade mundial de headbangers que não apenas absorve o que vem do Ocidente – mas o transforma – criando uma nova forma de expressão cultural em sociedades dominadas por conflitos, corrupção e consumismo em massa. Novamente, o filme é obrigatório para aqueles que querem entender o porquê o heavy metal é um dos gêneros mais amados no mundo da música, agora em escala mundial. Se possível, assista ambos em sequência.

Global Metal Trailer

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Depois de assistir a três filmes sobre o tema (esqueci de falar do documentário Heavy Metal: Louder Than Life?), nem preciso comentar a trilha sonora né?