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Big Brother. Para a maioria das pessoas, essas duas palavras significam apenas uma coisa: Um programa televisivo acéfalo, uma das maiores audiências da TV brasileira, onde câmeras observam pessoas em busca de seus 15 minutos de fama. Mas para um pequeno punhado de pessoas letradas essas palavras significam muito mais. Significam um pesadelo na forma de um governo totalitário e opressor, onde invasão de privacidade e controle total do Indivíduo fazem parte da rotina da população.

1984 livro

1984 foi escrito por George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair (1903-1950). Nascido na Índia durante a colonização inglesa, foi desde cedo educado para servir aos propósitos do imperialismo britânico, abandonando-o logo ao perceber que ele próprio servia de instrumento de preservação de uma política que não concordava. Seu livro mais famoso critica furiosamente o advento de regimes totalitários ligados aos partidos políticos da época em que foi escrito (anos 40), mais especificamente o nazismo alemão e, logicamente, o regime comunista soviético de Stalin.

Recentemente baixei a adaptação do livro. 1984 é o tipo de filme que Hollywood nunca conseguirá fazer, e por isso não deixa nada a dever ao livro. É um filme denso e instigante, porém algumas vezes confuso, e preciso dizer que é praticamente obrigatório ler o livro antes , para absorver todas as idéias mostradas na obra e entender melhor o contexto da trama.

1984

Na grande maioria das vezes o cinema e a literatura possuem uma visão pessimista do futuro. De Metrópolis a O Exterminador do Futuro, passando por Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451, Equilibrium e Laranja Mecânica, a humanidade quase sempre se vê subjugada por um Sistema organizado e ditatorial que oprime os cidadãos. A visão de George Orwell não é diferente. A única curiosidade aqui, é que seu “futuro” refletia com exatidão o mundo pós Segunda Guerra no qual ele vivia enquanto escrevia seu livro.O filme e o livro conta a história de Winston Smith, um funcionário do Ministério da Verdade, que tem a função de mudar as notícias do passado diariamente, criando, assim, um novo passado, de acordo com os interesses do governo. “Quem domina o passado domina o futuro; Quem domina o presente domina o passado”, como é mostrado no livro e idéia fundamental da obra. O governo ditatorial é chefiado pelo líder supremo Big Brother, entidade quase sobrenatural, onipresente em todos os lugares, e que criou os três principais lemas do Partido:

Guerra é Paz
Liberdade é Escravidão
Ignorância é Força

 O mundo está dividido em três super estados: Oceania, Eurásia e Lestásia, que estão sempre em guerra entre si. Mas o objetivo dessa guerra não é lutar por uma causa ou derrotar o inimigo, e sim manter o grupo dominante no poder, servindo apenas como justificativa para o controle social do partido, estimulando a exaltação fanática contra o inimigo, seja ele quem for. Chega-se até a imaginar que os três estados são, na verdade, uma só super potência.

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Winston é só mais uma pessoa lobotomizada, cumprindo suas funções como uma formiga operária num enorme formigueiro. Durante um dia rotineiro de falsificações dos jornais do passado, Winston se envolve com Júlia, membro da Liga Juvenil Anti-Sexo, passando a sair com a garota e desafiando as leis do Partido, que aboliram o orgasmo e incentivam a inseminação artificial. Eles desafiam, com seu amor, o próprio Sistema, que prega o ódio como maneira de subjugar seus oponentes. Prazeres simples (porém ilegais), tais como provar geléia com pão e beber café “de verdade”, passam a fazer parte da rotina do casal, que redescobre o valor da liberdade e do calor humano.

Mas não demora muito tempo para que Winston sinta na pele o poder do Partido e do Big Brother. Torturado fisicamente, ele descobre a lógica cruel do seu mundo: 2 + 2 = 4 apenas é assim se o Partido quiser, podendo ser 5 ou 3 ou qualquer coisa – o Partido domina tudo e a todos, inclusive determinando o que é verdade e o que não é. A vontade das pessoas submetidas aos interesses do partido era uma idéia polêmica para a época que o livro foi escrito, pois o mundo ainda estava estarrecido com as imagens do recém derrotado regime nazista, com seus críticos mortos ou tendo de fazer retratação em praça pública – algo que também acontecia, com freqüência, na União Soviética de Stalin.

cena

A resistência de Winston em amar o Grande Irmão o leva à temível Sala 101, conhecida como o pior local para os inimigos do Governo e onde são explorados os piores medos das pessoas. Como é dito pelo captor de Winston: “Não nos contentamos com a obediência negativa, nem mesmo com a mais abjeta submissão. Quando finalmente te renderes a nós, deverá ser por tua livre e espontânea vontade. Não destruímos o herege porque nos resista; enquanto nos resiste, nunca o destruímos. Convertemo-lo, capturamos-lhe a mente, damos-lhe nova forma. Nela queimamos todo o mal e toda a alucinação; trazemo-lo para o nosso lado, não em aparência, mas genuinamente, de corpo e alma. Não queremos obrigá-lo a amar o Grande Irmão. Queremos que você o ame por livre e espontânea vontade”.

O universo de 1984 não se limita aos infortúnios e desventuras de Winston, pois mostra uma realidade extremamente repressiva, como crianças que denunciam seus pais pelos menores delitos e uma intensa produção de literatura pornográfica para as massas ignorantes, tão medíocre que são os computadores quem escrevem os livros, numa clara crítica à cultura de massas, que perdura até hoje. Além disso, a obra levanta uma série de questões sobre o papel do indivíduo na sociedade, do controle social do estado e, principalmente, da função dos partidos políticos na vida social. Se a nossa realidade caminhar para o cenário previsto pela obra de George Orwell, o ser humano não terá nenhuma chance. Como foi dito por um dos personagens do livro: “Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre”.

E é nessas horas em que a humanidade caminha para um futuro sombrio e talvez sem salvação que temos que lembrar do que foi escrito por Winston em seu diário em certo momento do livro/filme: “Liberdade é ter a liberdade de dizer que, sim, 2 + 2 = 4”.

1984 Trailer

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Eu estava certo. A Microsoft não irá lançar um possível sucessor do Xbox 360. O suposto novo produto não seria um console de nova geração, mas um Xbox redesenhado e com o novo e inovador Project Natal embutido.

Conforme divulgou a empresa fabricante do meu finado Xisboca, “Parte da empolgação em torno desse anúncio é que em muitos aspectos é quase como se estivéssemos colocando no mercado uma nova experiência em games nesta mesma geração de consoles. Dito isso, confirmo que Natal rodará no Xbox 360 sem qualquer necessidade de investimento em novo console”, falou o gerente do produto Aaron Greenberg.

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Um britânico apaixonado por ficção científica transformou seu apartamento em uma cópia fiel da nave estelar USS Voyager do filme Jornada nas Estrelas.

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Tipografia não é só você escolher uma letra bonita pra fazer aquela capa do seu trabalho de faculdade. É muito mais do que isso. É você estudar o tipo da fonte certa, que se adapta ao seu layout com o tamanho e peso certo, tudo para transmitir de forma correta a mensagem desejada.

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Agora alguns designers estão dando um passo além, unindo tipografia com imagens. O resultado você confere aqui.

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Nascido nos moldes de uma lei francesa aprovada em maio – e julgada inconstitucional na última quarta feira – o PL 5361/2009 pune o usuário que baixar música ilegalmente, com penas que vão desde advertência por e-mail até o corte da conexão do usuário. Se quiser saber mais sobre esse projeto de lei ridículo, veja aqui.

Eu acredito na livre distribuição de entretenimento e cultura, sempre com o intuito de uso pessoal. Pirataria é crime, eu sei, justamente porque há um lucro para quem baixa arquivos, seja filmes, músicas e/ou séries. Baixamos arquivos porque não podemos ficar a mercê de distribuidoras que não lançam filmes no Brasil e canais de TV a cabo que não exibem a sua série favorita e, quando exibem, são com vários meses (chegando a quase um ano) de atraso em relação a exibição original no país de origem. E eu sempre achei que músico e gravadora tem que ganhar dinheiro fazendo show, e não gravando CD. Quem sabe faz ao vivo, já diria Chico Xavier.

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Outro projeto de lei semelhante é a conhecida Lei Azeredo (googleai amigos) mais conhecida como AI-5 Digital.

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evolucao

A produtora cinematográfica californiana The Asylum poderia ser apenas mais uma produtora qualquer. Mas o que chama a atenção são os seus filmes. Alguns títulos mais famosos da produtora: Alien VS Hunter, The Terminators, Snakes on a Train, Allan Quatermain And The Temple Of Skulls, Sunday School Musical  e The Da Vinci Treasure. Alguma semelhança com um ou outro filme “desconhecido”, talvez Alien VS Predator, Exterminador do Futuro, Serpentes a Bordo, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, High School Musical e o Código Da Vinci?

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O fato é que a produtora é especializada no chamado mockbusters: produções picaretas, baseadas em algum blockbuster que vai ser lançado por algum grande estúdio de Hollywood. São produções feitas com orçamentos ridículos e lançadas diretamente para as locadoras em DVD. O diferencial é que eles lançam os filmes pouco antes da estréia nos cinemas do filme original, para arrancar um trocado do consumidor desatento. Vale a pena dar uma olhado no catálogo da produtora e tentar descobrir qual filme foi copiado e dar risada com cópias genéricas.

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E agora a produtora se prepara para desovar nas locadoras de todo o mundo seu novo filme, chamado oportunamente de Transmorphers: Fall of Man, sequência (!!!) do filme lançado pela produtora em 2007. Não é necessário dizer em qual filme ele foi “inspirado”.

Transmorphers: Fall of Man

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Mas nem só de cópias baratas vive a produtora. Basta ver o trailer da “produção original” Mega Shark VS Giant Octopus. Só não vale tentar disfarçar o riso depois.

Mega Shark VS Giant Octopus

Saiu mais um ótimo teaser de Rec 2, sequência do espetacular filme de terror espanhól  lançado em 2007 e copiado descaradamente refilmado pelo cinema descerebrado americano.

Rec 2

No trem:

– Oi Cae, tudo bem? Quanto tempo!

– Desculpa, mas não te conheço.

– Nossa, mas eu te conheço tão bem!

Creepy uh?

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Depois de destruir adaptar para os cinemas as franquias Alone in the Dark, Bloodrayne e House of the Dead, Uwe Boll ataca novamente. Agora a vítima o game a ser detonado transformado em filme será Ninja Gaiden. Por favor, façam parte dessa comunidade. É sério.

Assim como Regina Duarte disse durante a campanha de Lula em 2002, faço das palavras dela as minhas: Eu tenho MEDO.

Ninja Gaiden

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Saiu um ótimo trailer de Beatles Rock Band, com várias cenas do jogo rodando. além de ter a possibilidade de jogar com até dois vocalistas (caraca!!), eu só tenho uma coisa a dizer: Preciso mandar arrumar logo o meu Xisboca. Alguém me trás uma água com açúcar!

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Sou velho, chato e mal humorado. Isso me lembra alguém.

Eu com 60

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Saiu hoje o trailer de Dolan´s Cadillac, adaptação de um conto de Stephen King tirado do livro Pesadelos e Paisagens Noturnas. O conto fala sobre um atormentado professor que busca vingança contra o assassino de sua mulher, numa jornada obsessiva e que termina de uma maneira sádica.

A questão é: como um filme de, digamos, 90 minutos, pode se sustentar em cima de uma história de 36 páginas? Ao assistir ao trailer, a única coisa que vi que estava idêntica ao conto só acontece após 2:47 minutos.

E agora? Será que o filme ficará ao lado das grandes adaptações do escritor, como O Iluminado e Cemitério Maldito ou ficará junto de grandes bombas como O Apanhador de Sonhos? Eu aposto na segunda opção.

Dolan´s Cadillac Trailer 

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No início do milênio a nação entra em colapso. Com uma taxa de desemprego de 15%, dez milhões de japoneses não possuem emprego e 800 mil estudantes boicotaram as escolas. Os adultos perderam a confiança e, temendo os jovens, eles aprovaram o Ato de Reforma Educacional do Milênio, também conhecida como Lei Battle Royale.

Assim começa o filme japonês Batalha Real, produção de 2000 com direção do lendário Kinji Fukasaku, da qual Tarantino é fã assumido. Os níveis de delinqüência juvenil atingiram níveis estratosféricos, fazendo que as escolas se tornassem um dos lugares mais violentos do país. A população adulta, com medo, apóia a solução do governo chamada Battle Royale.

Ela consiste de uma idéia simples. A cada ano a turma escolar mais delinqüente é levada a uma ilha deserta, onde participam de uma espécie de survival game onde devem lutar entre si, até que só sobre um aluno. As regras do jogo são claras: todos recebem uma mochila com um kit de sobrevivência, incluindo uma arma. Esta, por sua vez, pode ser uma arma de fogo, faca, granada, foices, veneno, arco e flecha e outras armas não tão úteis. Todos recebem um colar especial que previne que eles escapem da ilha. Ao final de três dias, se sobrar mais de uma pessoa, todos os colares explodem.

Dadas as regras e com cada aluno devidamente armado, o jogo começa. Antigas rixas, amizades duradouras e a natureza humana serão colocados a prova, até que apenas um saia vivo. Durante o filme descobrimos algo que é óbvio, e isso se chama instinto de sobrevivência. Esse é o verdadeiro comportamento da raça humana, que abandona a hipocrisia e falsidade do cotidiano e resgata a mais profunda selvageria interior se for para defender seus próprios interesses.

Não há rostos conhecidos (pelo ocidente) no filme, mas pude reconhecer o ator Takeshi Kitano (o japonês fodão de Brother) interpretando o prof. Kitano, mestre da turma selecionada desse ano. O enredo é obra do escritor Koushun Takami, autor do livro que inspirou o filme. A adaptação é um dos dez maiores sucessos de bilheteria no Japão e rendeu um mangá dividido em 15 volumes (lançado no Brasil, aliás) e uma continuação em 2003 dirigida novamente por Fukasaku.

No início é estranho como uma obra dessas não chegou ao ocidente e nem ganhou um remake americano, mas se olharmos mais para trás dá pra entender um pouco o motivo. O filme foi produzido na mesma época do conhecido massacre na escola de Columbine, e nenhuma distribuidora americana se interessou em comprar os direitos de exibição do filme. O longa começou a ganhar fama quando Tarantino fez um comercial para a edição especial do DVD, babando o ovo para o filme. Aliás, foi depois de ver Batalha Real que o diretor decidiu escalar a atriz Chiaki Kuriyama para Kill Bill, no papel da adolescente psycho Gogo Yubari.

O filme saiu em DVD em 2007 no Brasil em edição especial dupla com uma caralhada de extras e é altamente recomendável como um dos ótimos exemplos do cinema de horror japonês. Clássico.

Batalha Real – trailer

Imagine um mundo sem a raça humana. Como ela foi extinta é irrelevante. Pode ser pela gripe suína; por um vírus como foi mostrado em Os 12 Macacos; por uma epidemia de zumbis em escala global; a humanidade pode ter simplesmente parado de se reproduzir, como no filme Filhos da Esperança, ou uma entidade divina qualquer pode ter simplesmente estalado os dedos – puf – e os seres humanos deixariam de existir.

O que importa é o que aconteceria depois. O que aconteceria com o planeta depois de um, cinco, dez, cinqüenta, mil, dez mil anos depois? O que aconteceria com as grandes construções humanas, obras de arte, cultura, com os grandes monumentos erguidos pela força da raça humana, em memória de pessoas e deuses que já não existem mais? Como a natureza reagiria e começaria a tomar de volta o que sempre foi dela por direito?

Esse é o tema do maravilhoso documentário O Mundo Sem Ninguém (Life After People) produzido pelo The History Channel em 2008. O tema instigante nos faz viajar nas conseqüências desse evento inesperado, a extinção da raça humana. O documentário é um exercício de imaginação fascinante explorado por cientistas, estudiosos e profissionais das mais diversas áreas, como engenheiros, botânicos, biólogos e geólogos.

Além de dar uma visão clara ao que aconteceria com as grandes cidades durante o processo de retomada da natureza, algo já visto no recente Eu Sou a Lenda, a produção nos leva a lugares onde esse processo já está em andamento, como em Chernobyl. Após 20 anos abandonada devido a um acidente nuclear, a cidade está irreconhecível, tamanho é o avanço da natureza e da vida animal nas casas e prédios abandonados.

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O documentário fornece, através de suas imagens de grandes cidades e monumentos desmoronando perante a ação do tempo, respostas e muitas perguntas provocativas. As pirâmides durarão para sempre? Haverá algum vestígio para futuras civilizações (alienígenas ou não) de que a raça humana algum dia existiu?

Quem quiser saber essas respostas, procurem na internet o download do documentário. O inteligente leitor não se arrependerá. Alguma vez já indiquei algo que não vale à pena? Pergunta retórica, claro.

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“Os seres humanos são os únicos capazes de se auto-exterminarem”

O cinema dos anos 80 produziu uma grande quantidade de filmes significativos que podem ser considerados hoje verdadeiros clássicos modernos, dentro dos mais variados estilos cinematográficos. Vai desde o cinema-macho de Rambo, passando pelo filmaço de terror Hellraiser, até comédias como Curtindo a Vida Adoidado. Cada um trouxe uma contribuição, à sua maneira, para nossas vidas.

A ficção científica não deveria ficar de fora dessa e foi muito bem representada nessa época. Um dos maiores destaques é Robocop, dirigido por Paul Verhoeven em sua estréia no cinema americano. O filme se passava em um futuro não muito distante e contava a história de Alex Murphy, um policial que atuava nas ruas violentas de Detroit. Após uma perseguição, Alex é brutalmente assassinado por uma quadrinha de assaltantes. A cena é uma das mais violentas do filme e confesso que me marcou atré hoje.

A Omni Consumer Products, Uma mega corporação que parece uma mistura de Coca Cola x Umbrella x Microsoft x Massive Dynamics, usa o corpo do finado policial no projeto Robocop. Colocado nas ruas, ele logo prova sua eficiência e assume o papel de defensor da lei e da ordem nas ruas da decadente Detroit, que está carcomida pelo crime e corrupção. Porém, aos poucos suas lembranças humanas vão retornando, fazendo com que ele siga em uma cruzada para se vingar de seus assassinos. No meio do caminho, nosso herói de peito de aço (rá) descobre que a OCP não é tão boazinha quanto parece.

Até hoje o filme entra em qualquer lista de melhores da ficção científica, seja em revistas, sites ou em uma conversa de botequim. Tudo graças a um roteiro interessante apresentando a visão de um futuro pessimista e obscuro, com o domínio da violência urbana e a proliferação dos interesses financeiros das grandes corporações em detrimento do bem comum.

Assim como Star Wars, Indiana Jones e De Volta Para o Futuro, o filme possuía uma música tema memorável, que permanece na mente dos fãs há mais de 20 anos. Foi indicado ao Oscar de 1988 nas categorias Trilha Sonora e Efeitos Sonoros, vencendo nessa segunda.

Robocop – trailer

O filme original se transformou numa mina de ouro. Em 1990 foi lançado Robocop 2, com roteiro de Frank Miller (300, Sin City), o filme não atingiu nem a metade do que fez o primeiro, mesmo sendo considerado um bom filme por este quem vos digita. Na segunda produção, após ele ser seriamente avariado num confronto com seus algozes no final do filme original, Robocop agora combate o tráfico de drogas em Detroit, dominada por uma nova droga chamada Nuke. Após a morte do principal traficante da cidade, a OCP decide criar uma nova arma contra o crime com o seu corpo, chamando-o oportunamente de Robocop 2, um andróide mais avançado e agressivo, movido a doses cavalares de Nuke. Não é preciso dizer que o projeto dá em merda e que cabe ao Robocop original dar cabo do vilão do filme.

Apesar de ter efeitos melhores, o filme peca numa das principais características do original: mesmo sendo tão violento quanto o primeiro filme, Robocop 2 parece que não é levado a sério. No filme, Robocop é cheio de piadinhas e momentos que não entram no contexto de uma cidade dominada pela violência. Soma-se a isso um roteiro que não é um dos melhores considerados pela crítica e público e temos um filme mediano.

Robocop 2 trailer

Em 1993 a coisa descambou de vez com o lançamento de Robocop 3. Com o roteiro assinado novamente por Frank Miller, o filme é considerado o pior da trilogia, tanto em efeitos especiais, roteiro, interpretação, enfim, tudo. A gigantesca OCP, numa fusão com a mega corporação japonesa Kanemitsu Corporation, inicia a construção de uma nova cidade no lugar da velha Detroit, a nova e lucrativa metrópole Delta City, despejando seus habitantes e tendo apenas interesses políticos e econômicos. Robocop, puto da vida com a injustiça provocada, decide ficar aos lados dos sem-teto numa batalha contra a organização que o desenvolveu.

Se o segundo filme tinha pelo menos a violência que nos servia de consolo, nesse filme nem isso existia. Sem falar nas cenas e falas “engraçadas” do nosso policial, me fazendo arrancar os cabelos de tanta raiva e desgosto.

Robocop 3 Trailer

Após o terceiro filme, parece que a franquia estava enterrada de vez nos cinemas. Mas só nos cinemas, pois além dos filmes, foi lançado um desenho animado em 1988, que chegou a passar no Brasil pela TV Colosso(veja a abertura do desenho aqui), e outra série animada em 1998( cena de abertura com música ridícula aqui), várias histórias em quadrinhos e jogos de videogames para diversos consoles, passando pelo Master System até o Playstation 2. Também ocorreu a produção de duas (!!) séries de TV: Robocop: The Series, produzida em 1994, que durou uma temporada com 23 episódios, chegando a ser exibida pela Globo, e outra feita em 2000. Esta mais recente, na verdade, uma mini série em 4 episódios.

Robocop: The Series

E é sobre ela o motivo do enorme post. Eu curti todos os produtos da franquia Robocop. Desde os desenhos animados que assisti até a série de 1994, que acompanhei com afinco mesmo quando passava tarde da noite. Até mesmo o terceiro filme eu gostei (na época que assisti pela primeira vez eu ainda não tinha um gosto tão apurado para cinema). Mas a mini série Robocop: Prime Directives é ruim de dar dó.

O canal Bandeirantes, ao que parece, exibiu o primeiro episódio ontem, quinta feira, como se fosse um filme chamado Robocop – Justiça Perversa. Eu, num ataque de masoquismo, resolvo assisti-lo. Meus olhos quase sangraram tamanha a ruindade que vi, fazendo um pouco de vômito me subir na garganta a cada diálogo e cena ruim. Pelo que percebi no “filme”, Robocop está velho e obsoleto, e ainda está no velho ofício de patrulhar as ruas da fictícia Delta City. Agora ele trabalha ao lado de seu antigo parceiro na época que ele era vivo, John Cable (futuro RoboCable na mini série- pausa pra ir vomitar, argh), que não sabe nada sobre o passado de seu parceiro de metal. Também está no elenco o filho de Alex Murphy, que virou um jovem executivo em ascenção na OCP, que se tornou um lugar onde reina a lei da selva, com executivos tentando passar a perna um nos outros.

Pesquisando mais sobre o tema, acabei encontranto no pai dos burros 2.0 um pequeno texto sobre essa produção chinfrim, o que me deu medo ao ver o nível que a franquia desceu. Há ainda por cima a notícia de que Paul Verhoeven, concordando com a falta de criatividade de Hollywood,  pretende dirigir um remake de sua mais conhecida obra. Se for tão ruim quanto as ultimas produções, eu juro que vomito tudo num pote e mando entregar pessoalmente pro responsável da tralha. Promessa é dívida.

Mais de 1/4 de século vivido, formado em publicidade e amante de games, música e pop!

Na estante

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